segunda-feira, abril 02, 2012
TIPPA IRIE
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Anthony Henry, a.k.a. " Tippa Irie" - emerso do Saxon Sound International, o sistema de som de viagem da Inglaterra,que estêve no pelotão da frente da cena britânica do dancehall da reggae para os 25 anos passados, e ajudou a lançar as carreiras dos artistas tais como Maxi Priest, Papa Levi e Smiley Culture.. Tippa Irie era parte da geração nova de MC's britânicos que desenvolveram o ' Talking' rápido; denominando o bate-papo que hoje pode ser ouvido em rappers modernos do dia como Busta Rhimes. Tippa excursionou extensivamente com seu amigo,sócio e velho sparring Pato Banton, ao longo dos anos 1980 que incluíramm uma aparência no Reggae Sunsplash na Jamaica, e na sua estréia nos E.U.A., excursionam junto. O duo DJ do Reino Unido DJ Tippa Irie e Pato Banton tornaram as combinações os favoritos do gênero. Enquanto os anos noventa começaram, o duo dinâmico levou a cabo suas carreiras de solo. Tippa Irie produziu quinze álbuns até agora e tem uma corda de canções de sucesso número 1 a seu crédito que inclui " Hey Mama" com Black Eyed Peas, "Hello Darling", "Raggamuffin Girl" (com Peter Hunnigale), "Stress" (com Lloyd Brown), "Superwoman" (com Winsome), "Baby I've Been Missing You" (com Janet Lee Davis), " Long Beach Dub AllStars com ("Shouting for the Gunners") uma canção gravada originalmente para a equipe de futebol Arsenal que alcançou o status superior número 30 nas cartas do pop britânico, "Sensi" em seu CD 'Right Back'((1999), e foi seu convidado especial em sua excursão norte-americana subseqüente. Em 2000 foi convidado a suportar UB40 em seu trabalho de ingressos esgotados ns excursão britânica do Labour Of Love III.Tippa Irie foi chamado para trás no estúdio com Long Beach Dub All Stars para gravar " A vida vai On" caracterizando Half Pint e Jurassic Five's; Charli2na em LBDA' s no CD 'Wonders of the World'(2001) para a Dreamworks Records.Impressionado com o arsesal de fogo rápido de Tippa,os Jurassic Five's pediram para Tippa para gravar juntos ,e o resultado final foi a combinação de Tippa e Charli2na intitulado " The Struggle". O mundo dos sucessos tomou a observação, e Tippa foi chamado logo mais uma vez ao registro com alguma das maiores indústrias da música,e suas maiores estrelas. Tippa foi nomeado recentemente para um Grammy na categoria melhor canção de sucesso pela sua colaboração com Black Eyed Pea's no Will-I-Am em "Hey Mama" ,uma trilha caracterizada no CD internacional ' Elephunk' (2004) CD na A&M/Interscope Records,e igualmente no LP do Black Eyed Peas 'Monkey Business' (2005), na trilha Dum Diddley.
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http://www.tippairie.com/
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http://www.discogs.com/artist/Tippa+Irie
domingo, abril 01, 2012
SAMMY DREAD
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Com uma voz como que puxada do intestino, contudo fácil, cru, com séculos de sofrimento ,mas muito brilhante, Sammy Dread é um artista único. Moderno, angular e neurótico, Sammy Dread mostra o esplendor mágico do cantor jamaicano das raizes que entrega uma filosofia visionária, que anseia por direitos iguais e justiça, e sabe que a música deve ser doce e temerosa para que os povos compreendam. "Roadblock" ,"Bad Boy Fire M-16" e "Dreadlocks Girl" são apenas três clássicos de Sammy Dread que definem a vitalidade e o êxtase da era dourada do reggae nos anos 1970' s e 1980's.
Mesmo se sua voz nunca fosse ouvida outra vez, aqueles acordos seriam gravados para sempre nas memórias de ouvintes incontáveis. Com os agradecimentos a John Shop Records ,Sammy Dread está de volta ao microfone,criando um jogo de trilhas novíssimas que trazem a arte do reggae rock das raizes a um nível inteiramente novo, descascado de referências cansadas, e feito relevante para hoje. Embora lhe foi dado o nome colonial de Stewart Farquharson no nascimento, " usaram-se para chamar-me Sammy, " o cantor de Greenwich Town, em Kingston, Jamaica, recorda. " Eu adicionei 'Dread' porque quando eu comecei cantar, eu dizia a mim mesmo que tinha que ser um Rastaman, e para que eu mantenha a obrigação contratual, eu tive que me nominar Sammy Dread. Eu nasci um Rasta ,nós todos somos, mas nós o tomamos de determinados patamares." Após ter parado na escola, Sammy encontrou o trabalho no cais de Kingston, mas os amigos da infância, o guitarrista Earl ´Chinna´ Smith e o cantor Earl Zero tinham ouvido Sammy cantando na rádio, e tinham-no incitado a começar uma carreira profissional. " Disseram-me que eu podia cantar; fazer uma carreira de artista ", Sammy diz. Com seu primeiro acordo 78", "African Girl" , produzido por Don Mayes, Sammy teve um sucesso. Um sonho duradouro foi cumprido igualmente quando Sammy cantou de apoio para o Sugar Minott, e Minott produziu Sammy, ajudando a lançar o novo cantor como uma presença constante nas cartas do reggae. Identificado com o som do reggae das raízes, assim tornou-se Sammy com esse quadril ,os Fat Boys, do hip hop, lhe pagaram uma homenagem em sua quebra; o sucesso de 1983,"Hardcore Reggae", quando os rappers citaram os nomes de grandes nomes jamaicanos da música: Bob Marley, Peter Tosh, Lord Sassafras, e Sammy Dread. Os Fat Boys descobriram que Sammy estava em Brooklyn, e o recrutou para se reunir no vídeo marcante. Sammy ganhou boa audiência com uma série de números, incluindo "In This Time" , outros hits despedaçam-se fora de seu legendário álbum de estréia de 1982 ´´Road Block´´, que foi produzido e engenhado por Soljie Hamilton,gravado e mixado nos estúdio Channel One,e liberado pelo Hitbound.No mesmo ano saiu o LP ´´Sammy Dread Is Mr Music´´,contando com músicos como Roots Radics,com Style Scott e Desmond Mahoney na bateria,Larry Silvera,Elroy Bailey e Flabba Holt no baixo, Chris Hanson na guitarra, Bingy Bunny na guitarra rítmica, Sowell na guitarra solo, Gladdy Anderson no piano, Winston Wright no órgão,Tony Brightly nos teclados, Rico e Deadly Headly nos metais,Sky Juice na percussão e Bongo Herman e Scully Simms nos bongos.A original etiqueta Heartbeat baseada no Brooklyn liberou ´Think Constructively´´, ao produzir Sammy com o produtor ícone Joe Gibbs,que liberou os sucessos " Dreadlocks Girl" e " My Black Princess" . Em 1984, Jah Sammy liberou ´Mr. Music´, gravado na Inglaterra e rendendo o sucesso do single, "You Don't Have to be a Superstar." Em 1994, Rocky Gibbs, filho de Joe, surgiu mais forte do que antes, mas falharam em cinco álbuns com o impulso que o mercado mereceu. A música tinha mantido Sammy no movimento até 1979, quando saiu primeiramente da Jamaica para fazer um concerto ´all-stars´, igualmente caracterizando Dennis Brown, Louie Lepke, Lone Ranger,Tristan Palmer e Tony Tuff, no teatro Beacon em Nova Iorque, e decidiu se sediar em Brooklyn. Sobre os anos, a música tomou Sammy pelo mundo inteiro, e fêz repousos em Londres, St Petersburg e Houston,no Texas. Hoje, voltando em Nova York, e um membro da família da John Shop ,uma etiqueta que se vê como a exceção as regras de produções fracas de hoje em dia no reggae. " Hoje em dia, não são tão criativos quanto nós usamos para ir ao estúdio, observa Sammy. " Se o produtor não gosta da música, você fica sem voz . Você não vem com a música de hoje em dia. O mais estúpido é que se transforma no número um, e música sem cultura; que começa em qualquer lugar comparada aos outros estilos. Após quando, as pessoas apenas começaram a fazer a mesma coisa repetidamente. Eu tento ser original, e mesmo quando eu canto sobre um acordo, mudo os poemas líricos e faço-os em meu estilo" .Um bom exemplo desse tratamento da cover do Sammy Dread é "Sweet Darling",de seu álbum de registros intitulado ´John Shop Records´, que foi inspirado por um acordo escrito por um artista baseado em Nova Iorque menos conhecido nomeado Saba. Exemplificando o presente para a reinvenção de Sammy, pede o gancho original e os selos dele com o estilo inimitável de Sammy Dread. O Jr. Demus introduziu-o à John Shop em 2002. "Estão fazendo as coisas direito, e eu gosto disso. Querem tomar a música a um outro nível." Trabalhando com o rapper/produtor e ex-refugiado John Forte e com os produtores da John Shop; Vidal Goring, D. Dubbie, Tony Panic e Titimus, Sammy coletou onze trilhas estelares, incluindo "Pain Cry", um comentário muscular do estado atual do mundo, igualmente caracterizando Yami Bolo nos vocais do estilo de Waterhouse, e " Sammy Dreadlocks", uma represália parcial de " Roadblock" com poemas líricos novos sobre o riddim e a melodia para o clássico de Sugar Minott, "Look in Your Eyes". Uma outra artista da John Shop, a diva do reggae Dawn Penn de "No,No, No", junta-se a Sammy para " Hottie Hottie". Totalmente, o álbum balança ordenadamente hinos de Rasta até o Jah Almighty, tal como "Jah Jah" ,"A Man Must Know" e "Love We Want.Sammy Dread é um artista único,exemplificando o presente para a reinvenção de Sammy, pede o gancho original e os selos dele com o estilo inimitável de Sammy Dread. Eu alcanço em muitas coisas pequenas que passam desapercebidas, Sammy diz para explicar sua longa ausência do estúdio de gravação. "A Man Must Know" e "Love We Want" ;lembretes clássicos da finalidade humana mais elevada que o mundo ainda precisa ouvir ,igualmente com canções do amor e do comportamento romântico como o "Ladies of the Night" e "Sweet Darling. "Strong Ganja" toma a homenagem necessária à inspiração erval. " Eu tento fazer minha música ir a um de mais alto nível, assim que cada canção nova será melhor e melhorará, " diz Sammy deste seu novo álbum. " Uma vez que você se mantém na indústria musical e se faz muitos concertos e reunião das pessoas, você vê como reagem. É como você saber o que cantar ao público". "Todos são artistas na Jamaica, assim que você sempre tem que encontrar um acordo acima do que o outro ajusta. Se você não faz isso, após três ou quatro meses, ninguém o ouve. Olhe quanto tempo estou no negócio, e apenas pelo amor das pessoas, dos meu fans". Um dos primeiros artistas do reggae para abraçar o dancehall, Sammy Dread continuou a tomar a aproximação afiada do roughhouse ao reggae. Fêz seu princípio de gravação na última metade dos anos setenta, numa altura em que o dancehall começou se desenvolver como um estilo musical novo. Quando marcou o sucesso menor com ´Talk It Over´ e ´Trying To Conquer Natty Dreadlocks´, e um álbum,´´Stereophonic´´, gravado com Philip Frazer em 1980, o melhor trabalho de Sammy Dread foi produzido em colaboração com artistas do reggae como Sugar Minnot, Black Roots e InI Oneness. O Sammy Dread é definitivamente um cantor que exemplifica melhor os vocais do early dancehall..
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DISCOGRAFIA :
http://www.roots-archives.com/artist/372
Official Website
Releases
Productions
- Sammy Dread - Wrap Up A Draw [198X]
Mixing Engineer
- Sammy Dread - Wrap Up A Draw [198X]
As a musician
Vocals
- Barrington Levy & Sammy Dread - Reggae Vibes [198X]
- Sammy Dread - Early Days [198X]
- Sammy Dread - Road Block [1982]
- Sammy Dread - Sammy Dread Is Mr Music [1982]
- Sammy Dread - Think Constructively [1982]
- Sammy Dread - Wrap Up A Draw [198X]
- http://www.discogs.com/artist/Sammy+Dread
CD Early Days-198x | ![]() |
CD Reggae Vibes-198x | ![]() |
CD Road Block-1982 | ![]() |
CD Sammy Dread Is Mr Music-1982 | ![]() |
CD Stronger Than Before-198x | ![]() |
CD Wrap Up A Draw-198x | ![]() |
THEODOROS BAFALOUKOS
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Theodoros Bafaloukos escreveu e dirigiu o Rockers (It´s Dangerous) o filme que, sozinho, tornou a Jamaica e o reggae interessantes para caras brancos desencanados, seus filhos maconheiros e um bando de punks ingleses famosos com guitarras. Hoje, Ted (na foto com o baterista e astro do filme Rockers,Leroy Horsemouth Wallace) não é tão recluso quanto é remoto, passando seu tempo em sua casa de infância na isolada ilha grega de Andros. Mais de 30 anos depois, fizemos uma longa viagem para isso, a primeira entrevista impressa da sua vida. Além de escrever roteiros e fazer filmes,Ted Bafaloukos fez a direção de arte para três diretores ganhadores do Oscar (Barry Levinson, Errol Morris e Jonathan Demme) e ajudou a conceber inúmeros clipes famosos, inclusive aquele do Aerosmith em que a Alicia Silverstone de camisa de flanela salta de bungee-jump de um viaduto e depois mostra o dedo do meio pro Stephen Dorff. Após um breve tour por sua casa—centenas de pinturas e imagens de detalhes de partes de cobra espalhadas pelas paredes—ele nos fez sentar e começou a folhear alguns álbuns antigos de fotos. Muitos deles eram da época em que filmou Rockers. Como você verá, é um tesouro escondido de alegria arquivada. Vice: Como você foi parar na Jamaica? Theodoros Bafaloukos: Fui para lá em 1975 como fotógrafo freelancer da Island Records com um amigo, um jovem da cena do reggae. Tiramos fotos dos rostos da ilha. Foi interessante e empolgante. Também foi engraçado porque me prenderam como um espião da CIA. Nossa! O que aconteceu? Eu tinha ido a uma estação de rádio para falar com uma pessoa da comunidade. Eu queria pedir a ele equipamento e ajuda para filmar um documentário—que era o que eu queria fazer a princípio. Eu estava no carro com meu amigo, que dirigia, quando de repente, do nada, um homem enfia a mão pela janela, agarra um caderninho do meu bolso do peito e corre para dentro do prédio gritando “CIA, CIA!”. Saí e tentei correr atrás dele, mas, quando voltei, meu amigo e o carro tinham desaparecido. Fiquei assustado. Me vi totalmente abandonado, cercado por estranhos. Depois meu amigo disse que ficou apavorado. Estou falando de uma época em que o medo reinava e todo mundo andava assustado. Quando a polícia chegou? Dois jipes apareceram do nada, cheios de policiais—alguns de uniforme, outros parecendo seguranças. Os mais durões saíram do veículo com Uzis e me prenderam. Eles me colocaram no jipe e desfilaram pelas ruas em baixa velocidade para que todos vissem que eles tinham prendido um agente da CIA! Me levaram para a delegacia, onde ficou óbvio que não tinham ideia do que fazer comigo. Então me levaram até outro cara, que me entrevistou. Entrevistou? Interrogou. Quando entrei na sala, o interrogador estava sentado atrás de uma mesa com o meu caderno ao seu lado. Fui até a mesa, peguei o caderno e coloquei no meu bolso. Corajoso. O que tinha no caderno? Os endereços de todas as pessoas que eu tinha conhecido na ilha, a maioria músicos. Eu tinha prometido mandar as fotos pra eles quando eu voltasse para os EUA, o que eu fiz. Então eles te deixaram ir imediatamente? Depois que eu coloquei o caderno no bolso o cara não falou nada, nem se mexeu. Respondi as perguntas, mas ele nem sabia o que me perguntar. Ele provavelmente tinha feito algumas ligações e percebido que era um engano. Pelas suas fotos dessa época você parecia mais como o ator principal de um pornô zapatista do que um agente da CIA. Por que, como é um agente da CIA? [risos] Eu tinha um passaporte grego, o que me tornava ainda mais suspeito. Eles o pegaram e me mantiveram lá pelo que pareceu uma eternidade. Outro cara veio me interrogar, mas de novo não deu em nada. Eram 10 ou 11 da noite quando de repente esse cara branco aparece e diz, “Vem comigo”. Eu disse, “E o meu passaporte?”, e ele disse, “Sai daqui, cara”. Então eu fui embora. Fui até a casa onde eu estava ficando e encontrei todos eles ali: meu amigo, Augustus Pablo, a turma toda. Todos eram mais novos do que eu. Eles estavam assustados e olhando para mim como se eu tivesse voltado dos mortos. Simplesmente disseram, “Desculpa, eles vêm te matar hoje à noite e a gente não quer ficar aqui”. Eles estavam tirando uma com você? Não, não estavam. Coisas assim aconteciam o tempo todo. Esse é um retrato da Jamaica completamente diferente do que você apresenta em Rockers. Tinha essa ideia de que tudo estava numa boa, por causa do sucesso de Bob Marley. Mesmo para o reggae, a realidade era outra—bem mais cruel. E mais cruel ainda para um cara branco no meio disso. Morei lá dois anos antes de começarmos a filmar. Aqueles jamaicanos que moravam nos guetos de Kingston eram pessoas inocentes no dia a dia e era exatamente isso que eu queria capturar no filme—um retrato mais realista de quem eram ou do que realmente gostariam de ser. Algo como Robin Hood. A Jamaica era um mundo de fantasia onde a realidade como conhecíamos não podia existir. Como assim? Eles moravam em um cenário que os separava do mundo real. Você não tinha nenhum lugar pra ir, raramente tinha alguém pra chamar de “pai”. Eles eram homens simples que tinham relacionamentos com mulheres. Não existiam estruturas familiares de verdade. Na maioria dos casos, as crianças não eram reconhecidas, e mesmo que você crescesse com uma mãe, não tinha nada pra te apoiar, porque era dureza mesmo. Era praticamente impossível sair qualquer coisa daí que não fosse tolerância à violência, uma mentalidade de gangue entre a molecada enquanto o resto das pessoas batalhava pra ganhar a vida. Mas é importante perceber que muitas pessoas conseguiram viver sob essas condições de forma pacífica e produtiva. Isso era muito legal. Como era a Jamaica para alguém de Andros e Nova York? Bem exótica. Uma experiência extraordinária. Mais extraordinária do que Nova York? Você veio desse vilarejo na Grécia. Olha, eu mudei de Andros para Atenas aos 17 anos, saí dessa casa, dessa mesma mesa onde estamos sentados agora. Tive a sorte de ter um pai de cabeça aberta que me aconselhou—sem me pressionar—a ir para a Rhode Island School of Design, uma das melhores faculdades de design do mundo. Quando foi isso? Isso foi entre 1964 e 1968—a era do sexo, drogas e rock ’n’ roll. Depois da faculdade voltei para a Grécia durante a Junta Militar, para servir o exército. No meio tempo me casei com a Eugenie—esse ano comemoramos 39 anos de casamento. Depois da minha baixa do exército fomos para Minnesota e depois arrumamos nossas coisas e fomos para Nova York. Viramos boêmios e moramos em um prédio abandonado em Tribeca. Como vocês ganhavam a vida? Eu fazia vários bicos. A Eugenie trabalhava na indústria têxtil como designer. Eu basicamente me mantinha ocupado fazendo consertos no prédio onde morávamos e pegava serviços estranhos. Trabalhava como fotógrafo, até que a revista New York me encarregou de fotografar um jovem jamaicano no Tropical Club, um clube vagabundo no Brooklyn. Fui lá e de repente o Augustus Pablo apareceu tocando melódica. Fiquei de queixo caído. Ele foi o primeiro que conheci. Naquela época, o que você sabia sobre reggae? Eu escutei Bob Marley pela primeira vez quando ele estava com os Wailers em 1974, totalmente por acaso. Eugenie e eu estávamos indo para Minnesota e paramos por alguns dias para visitar uma amiga em Chicago. Uma noite ela disse, “Vamos para um clube com um som interessante”, e era o Bob Marley. Foi um show inacreditável. Que tipo de música você gostava? Vários tipos. Principalmente de rock e R&B. Minha esposa tinha dois irmãos que tocavam guitarra. E muito blues, claro. Se meu coração tivesse espaço para só um tipo de música, seria blues. Tudo começou de um jeito esquisito, através da minha paixão por rebetika. Rebetika é a forma grega de blues. O que aconteceu com a rebetika e o blues aconteceu com a música de Bob Marley também. Rocksteady e ska já eram conhecidos, mas quando escutei Augustus Pablo percebi uma coisa muito profunda, algo além e acima do que você ouvia. O reggae tinha profundidade musical e uma grande variedade de sons. Se você for ver o reggae entre o final da década de 60 e o começo da de 70, você não vai acreditar que foi tudo feito pelas mesmas 20 e poucas pessoas nos estúdios de Kingston. Literalmente. Todos esses gêneros emergiram simultaneamente e a partir dos mesmos músicos—ska, rocksteady, reggae, rocker, os dubs. Eram uma coisa só? As pessoas que começaram o ska também começaram o reggae—não mais do que dois ou três bateristas, guitarristas e baixistas. A qualidade dos cantores se tornou crucial, a habilidade deles em inspirar os músicos. O som estava lá, a única coisa que faltava eram os pequenos discos de 45 rotações que tinham que ser prensados o mais rápido possível—em duas horas, até em meia hora—para que os custos fossem mantidos os mais baixos possíveis. Essas gravações eram feitas em estúdios rudimentares, as faixas novas tocadas em grandes bailes ao ar livre aos finais de semana, viajando em vans lotadas de amplificadores e alto-falantes gigantes. Essa música tinha como objetivo o consumo imediato. Mais tarde eles começaram a gravar discos ao vivo e vendê-los em apenas algumas barracas e lojas. Era assim. E eles venderam mais no Reino Unido e menos nos EUA. O Reino Unido sempre foi mais aberto ao reggae. Sim, e o fato da Jamaica ter sido uma colônia britânica influenciou isso. Era mais fácil para um jamaicano ir para a Inglaterra do que para os EUA, por causa de passaporte e questões de visto. Eles também tinham absorvido o reggae em um nível maior. Bandas da 2 Tone, Selecter e outras foram todas muito importantes. Também acredito que a música punk deve muito ao reggae. Eles tinham a mesma postura. Por isso que tinham covers punk de faixas de reggae. Tudo isso em uma cena estritamente jamaicana? Era uma espécie de gueto? Muito localizada. Você poderia chamar de gueto, mas na verdade não era. Guetos na Jamaica eram bairros de quarteirões construídos em torno de pátios, como Atenas nos anos 20 e 30 ou vilas africanas. Neles havia estruturas sociais com vida própria que funcionava separadamente do contexto mais amplo, que era o governo, a polícia, o exército e o sistema judiciário. As estações de rádio locais raramente tocavam reggae. Elas tocavam soul e disco, assim como os clubes. Eles não apoiavam a própria cena? Não era a cena deles, porque ninguém ganhava dinheiro com aquilo. Só alguns caras que eram donos dos sistemas de som faziam algum dinheiro. Na verdade, só duas pessoas estavam por trás da maioria dos primeiros lançamentos—Coxton Dodd [do selo Studio One] e Duke Reid [do selo Treasure Isle]. Quando o gênero começou a ganhar reco-nhecimento internacional, as coisas começaram a mudar, e lá pelo meio da década de 70 reggae como conhecíamos desapareceu. Era impossível para tão poucas pessoas estarem em tantas bandas. Só existiam músicos para cinco ou seis bandas. Bob Marley pegou alguns dos melhores. Os outros começaram a se mudar para Nova York e Londres. No final dos anos 70, não tinha sobrado ninguém. Você poderia dizer que tudo terminou com o One Love Peace Concert em 1978. É interessante Rockers não ter muitos dos ingredientes típicos jamaicanos, como palmeiras e praias. Por que isso? Isso foi de propósito. Meu objetivo com o filme era muito simples: desde o começo pensei nele com uma música, então a questão não era o que incluir, mas sim o que eu deixaria de fora. Eu tinha que esco-lher. Você não pode encaixar tudo num filme. Minha avó, que nunca foi à escola e era uma mulher extraordinária, ficava me vendo dese-nhar quando eu era criança e dizia, “Isso está muito carregado”, quando eu colocava muitos elementos. No meu caso, tentei me manter dentro de uma certa moldura e não me via como um cineasta, mas como um artista. Você tinha confiança que o seu filme seria um sucesso? Eu sentia que o filme ficaria excepcional, mas ao mesmo tempo minha mente estava focada em completá-lo. Qualquer coisa podia acontecer durante as filmagens, o que acabaria com o projeto. Um dia um moleque poderia puxar um gatilho e matar alguém—estamos falando de Kingston, um lugar onde 600 crianças foram mortas naquele ano—e isso seria um desastre completo. Teria sido o fim. Uma grande parte da população foi assassinada, na maioria das vezes sem motivo algum. Por que motivo, exatamente? Guerra de gangues, mas acredite você ou não, a lei não desencorajava ninguém porque havia armas em toda parte. Existia um desejo por armas, era bacana andar com uma, e também existiam políticos que andavam com verdadeiros exércitos e caras armados. Os meninos de 11, 12 anos eram os que davam mais medo—não dava para saber quais seriam as reações deles, eles podiam te matar num piscar de olhos. Acho que tive muita sorte em terminar esse filme. Todo dia eu temia que alguém da equipe ou um ator fosse assassinado. Você diria que a cena lembra o hip-hop contemporâneo? Não muito, porque as pessoas que viviam lá e faziam música morriam de medo de armas. Eles não tinham armas. Eles não eram idiotas, sabe, sofriam com as armas. O que me faz ver Bob Marley como um herói é o fato dele ter voltado e tentado ajudar a estabelecer algum tipo de ordem. Claro, ele não podia resolver tudo, e existiam muitas reações das pessoas nas ruas. Mas esse esforço para promover uma trégua e a paz cessou a violência das gangues por um ano. Daí começou de novo, e antes do final do ano ambos os líderes das gangues estavam mortos. Aí a cocaína entrou na história. Ela substituiu a maconha? O fumo continuava lá, mas foi a cocaína que matou e devastou. Tinha muito dinheiro envolvido, as pessoas ficaram agressivas e começaram a matar umas às outras. Mas você também podia conhecer as pessoas mais amáveis e interessantes—uma fábrica de expressões comprimida em um lugar tão pequeno. E eu não estou falando de Kingston. As casinhas construídas em bloco parecem mais com favelas do que com guetos. Eram em lugares assim que todos os músicos rasta viviam. Quem são os rastas exatamente? Reggae e rasta andam juntos, eles viraram uma coisa só. Eles se tornaram o motivo para que todos os caras jovens de Kingston pudessem dizer, “É, agora eu tenho uma bandeira, eu tenho uma nação, um Deus, e então vai se fuder, branquelo. E você também, bal-die [careca, jeito rasta de chamar negros não-adeptos]”. Marcus Garvey foi uma figura chave para isso. Garvey tentou organizar o povo negro e persuadi-lo a voltar para a África. “O homem negro não é um homem branco, o homem negro pertence à África.” Então o racismo predominava. Sem dúvida. Eles diziam para mim, “Grego, não queremos nada de você porque qualquer coisa que você nos der não é sua para dar. Essa é minha própria vida, e minha própria vida é negra e nunca pode melhorar com a sua preocupação. Eu quero cuidar da minha vida, controlá-la, então eu irei à África, que é cheia de pessoas negras, e serei parte desse outro mundo, dessa vida negra”. Existia racismo até entre eles, entre pessoas com a pele mais escura e aqueles com pele mais clara, entre os que estudaram e que não estudaram. Como você conseguiu que os músicos fizessem papéis no seu filme? No final, você não filmou um documentário. Eu morei com eles por mais de dois anos e demorou um pouco para convencê-los. Não era algo que podia ser imposto. O interessante do filme é que tudo foi feito ao contrário: primeiro escolhi o elenco, depois escolhi as locações, e no final escrevi o roteiro. Todos eles fazem papel de si mesmo. O que eles dizem é bem simples, até o argumento é bem enxuto. Eu tinha morado na ilha há algum tempo, então não queria filmar um documentário—qualquer um poderia fazer isso. Eu queria fazer um filme sobre a música da Jamaica e incluir todo mundo que estivesse por lá, exceto o Bob Marley. Por que você não queria ele no filme? Porque ele já era uma grande estrela e teria virado um filme sobre o Marley. Ele certamente eclipsaria os outros músicos, que eram tão bons ou melhores que ele, e eu não queria isso. Não tenho nada contra o Marley, mas realmente acredito que o Burning Spear era ótimo, e o mesmo vale para os outros músicos do filme. Por motivos diferentes. Consegui com que todos os bons músicos participassem e acho que captei a música em seu melhor momento. Como foi a recepção ao filme? Espetacular. Foi exibido pela primeira vez no Los Angeles Film Festival num cinema lotado onde cabiam 800 pessoas. Teve outra exibição no final do festival porque tinha muita gente que queria assistir. Em Cannes foi exibido na mesma noite queApocalypse Now do Francis Ford Coppola e teve um incidente com milhares de pessoas, policiais a cavalo e tropa de choque. Tinha gente que queria entrar, e os ingressos estavam esgotados, e a desordem tomou conta. Saiu em tudo quanto é primeira página no dia seguinte. Fiquei intrigado pelas resenhas na França, até as dos jornais conservadores. A primeira frase no Le Monde era “Rockers não é um filme, é um trabalho de arte. Tão bom que é difícil de acreditar, ainda assim é verdade”. A que você atribui esse sucesso? Reggae tinha virado um gênero internacional de música, como samba, rumba e música cubana. Tinha ido um passo além, alcançado público no mundo inteiro pela primeira vez. Imediatamente após a exibição, começaram a me tratar como algo intrigante. Recebi propostas de Hollywood, mas eu estava com a mente em outras coisas. Você ganhou dinheiro com o filme? Por mais incrível que pareça, não. Nada. Algumas pessoas ganharam muito só com a música. Tivemos problemas enormes depois, quando o filme acabou. O que aconteceu? As coisas ficaram confusas. Ninguém tinha experiência, nem o produtor nem eu. Ninguém tinha feito nada parecido com aquilo e eles não tinham ideia do que fazer. Achavam que era só um filmezinho e não se preocuparam em se envolver no processo. O processo de promover o filme? Eles promoveram o filme, mas acabaram de mãos vazias. Não sabiam como capitalizar em cima dele. Por outro lado, mesmo que soubessem, acho que teria acontecido a mesma coisa. Acredite, agora, depois de 30 anos, comecei a fazer dinheiro com o filme através do DVD. Depois de todos esses anos, acabei de receber um cheque com uma pequena quantia... uma quantia bem pequena. É ridículo. Também não ganhei nenhum dinheiro com a música. Eu ia até a Tower Records em Nova York e via pilhas de CDs e pensava que outras pessoas estavam ga-nhando dinheiro que era meu. Eu sou o produtor da trilha sonora. Quanto custou o filme? Cerca de US$ 500.000. Conheci esse produtor, um cara jovem picado pelo bichinho do cinema, e trabalhamos juntos. Mostrei a ele algumas filmagens e ele disse, “Vai em frente e faça o que você quiser”. Infelizmente ele não está mais vivo. Você manteve contato com as pessoas do filme? A maioria deles está morta. Metade foi assassinada. Dirty Harry, por exemplo, foi morto em Nova York. Ele ficou preso dois anos, provavelmente por causa de drogas ou de alguma briga. Não sei direito, não perguntei. Seis meses depois que ele saiu da cadeia alguém o matou. Mesma coisa com Natty Garfield. Em contraste, um amigo que eu dava como morto na verdade está vivo. Nos falamos pelo telefone recentemente. Eu pergunto o tempo todo, “Aquele cara ainda está vivo, aquele outro morreu?” A maioria deles não está mais na Jamaica. Você fez muitos amigos? Fiquei lá por muitos anos, eu tinha que fazer amizades, colocar todas as cartas na mesa. Eu não tinha muitos, mas queria que todos soubessem quem eu era. Tinha uma época em que as pessoas da Jamaica vinham até nossa casa em Nova York todos os dias. Morávamos perto do Brooklyn, onde os jamaicanos também moravam, mas quem quer que fosse que viesse para a cidade para tocar dava uma passada lá. Eles respeitavam o que você estava fazendo? Todo mundo acha que eu ganhei uma baita grana. Bom, nem todo mundo, mas é difícil convencer as pessoas de que eu não ganhei um centavo. Se ouvissem o título hoje em dia, pensariam que não é um filme sobre jamaicanos. O termo Rockers era muito popular durante o auge do reggae. Existia esse som novo, muito sofisticado com novos esquemas percussivos. De certa maneira, Sly Dubar introduziu seu próprio ritmo, mais forte. Você ouvia muito “rock steady, rockers”. O produtor escolheu o nome. A arte é minha, assim como o cartaz do filme. Fiz sozinho porque não tinha ninguém para fazer. Quem escreveu o roteiro? Eu escrevi. Você fumava um monte de maconha na época? Claro. E como era a maconha jamaicana? Horrível. Ainda pior que a de Nova York...
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FONTE:
http://espacoreggae.webnode.com.br/
RICHARD BERNAL
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Embaixador da Jamaica para os EUA, o Dr. Richard Bernal (centro da foto,junto com Dean Fraser e Doctor Dread) é um dos maiores fãs de Dean Fraser. Então foi um momento emocionante de admiração mútua quando Bernal parou pelo estúdio de gravação para se encontrar com Dean Fraser .Dean estava gravando para o produtor Doctor Dread e estará se apresentando em um álbum da RAS Records,o CD Reggae For Kids...
Richard Bernal que concentrou suas exposições na questão das economias menores ante as novas realidades do comércio e desenvolvimento para a Jamaica.
Bernal igualmente foi eleito, por aclamação, o Primeiro Vice-Presidente do ´´CONSELHO PERMANENTE DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS ´´, havendo sido nomeado pela Argentina e secundado pelo Canadá.
Richard Bernal é também diretor-geral do Mecanismo Regional de Negociação do Caribe (Caribbean Regional Negotiating Machinery – CRNM)..
O embaixador Richard Bernal é Representante Permanente da Jamaica junto à Organização dos Estados Americanos...
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